Saindo pela tangente.  escrito em quinta 22 novembro 2007 02:27

É isso, meus queridos bebês. Estou dando o fora deste sítio que, durante um tempo, eu chamei humildemente de lar.


Faço isso por motivos técnicos, dentre outros, que não dizem respeito a ninguém e são problemas meus. Fim de papo.

 

Outro blog já foi criado para sustentar minhas porcarias. É o "vadia, minhas meninas".

 

http://vadiagizinha.blogspot.com

 

É isso. Vejo os que forem desocupados o bastante por lá.

 

Amplexos.

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Penélope Desperta  escrito em domingo 18 novembro 2007 20:57

PENÉLOPE DESPERTA

Vossa senhoria deve atentar à beleza desta noite

na qual todos os mortos se viram e,

caminhando,

simplesmente somem.

É agora,

observe,

que suas pegadas

desaparecem

de bom grado,

sem nenhum gesto

triste,

nem mesmo sorrindo

agradecidas.

Agora é que todas as odes

despertam de seu sono

e não são mais escravas

de pele, cheiro ou

sangue algum.

Hoje, meu bem,

todo o mundo brinca livre,

os peitos cicatrizam

e Deus descansa, enfim,

deixando-me dormir feliz.

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Sem Título  escrito em domingo 18 novembro 2007 20:28

(amém, meu bem) 

Já não tenho inveja

de sua menina amada,

minha querida.

Desde ontem, aliás,

não tenho inveja de ninguém

e os amores eternos que carrego

são bons e suficientes para só

algumas gotas de suor.

A não garantia de existência,

enfim, é bem confortável

e não há casamento

não há sentimento casto

que se iguale em beleza

a uma bela trepada.

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Prólogo  escrito em quarta 17 outubro 2007 23:42

Um tiquinho do que pode se tornar, se eu nao for tão inútil assim, um romance.

 

PRÓLOGO

 

 

        Acordo e lá está ela, toda esparramada, em meu colchão sem cama, encostado num canto do quarto. O pequeno despertador barato, no chão, me diz que são quinze para as quatro da manhã. Ótimo. Mais algumas horas ao lado dela. Não sei porque teimo em dormir ao lado delas sempre que trepamos.

            Você nunca sabe se vai conseguir dormir bem ao lado delas. É algo difícil de se palpitar. Só no meio da noite a coisa fica clara. Só depois que ambos já se cansaram o bastante para caírem no sono. A grande jogada é que, com algumas, você precisa se cansar mais, para não acordar um pouco depois e se sentir assim. Desconfortável. Com outras, você pode simplesmente deitar, apagar e ainda ficar abraçado, se quiser. É até bom. Acho que, no fim, todo mundo precisa disso. Ou talvez apenas eu precise. Tanto faz.

Eu acabo por me levantar depois de alguns minutos. Às vezes é até melhor quando elas resolvem sozinhas que querem dormir em outro lugar. Outra cama, outro quarto, outra casa, outra cidade, eu não me importo. Às vezes é melhor. Poupa você desse tipo de situação. Por isso eu me levanto e invento alguma vontade de mijar, só para sair do quarto e me afastar um pouco dela. Chuto minha cueca de cima do colchão, no caminho, e fecho a porta devagar para não acordar a mocinha.

            Forço pra ver se sai alguma coisa, mas só caem uns poucos pinguinhos quentes, bem quentes, tão quentes quanto eles podem ficar depois algum bom tempo que você passa esfolando seu pau. Forço mais e minha bexiga se faz de incômoda. Daqui não sai mais nada, meu filho. Nem me dou ao trabalho de puxar a descarga, depois de tal fiasco. Vou até o espelho e perco algum tempo tentando me reconhecer. Duas coisas com as quais eu nunca consegui me acostumar: meu nome e meu rosto.

            A lâmpada anêmica do banheiro não consegue iluminar nem metade do que deveria, quando fixo meus olhos na superfície de vidro manchado presa à parede. Deixa minhas olheiras mais acentuadas, meus olhos mais fundos, meu cabelo mais seboso e minha cara barbada mais azul. Faz com que eu descubra pequenas rugas em formação ao redor dos olhos e riscando de leve minha testa. Faço um bochecho com a água da pia e apago a luz. Melhor deixar o rosto para amanhã.

             De volta ao quarto, resolvo me sentar sobre a cadeira dobrável, de metal, e olhar para a moça na cama. Como pode ser tão difícil dormir ao lado dela? Não é feia. É até bem agradável. Ressonando bem de leve, de leve mesmo, enquanto dorme. O cabelo, castanho claro, todo bagunçado, está espalhado por sobre o rosto. Consigo distinguir apenas o contorno de sua boca e gosto do que vejo. O batom já se foi faz um tempo. É bonita sem ele. Tem os braços finos encolhido diante dos seios. Uma tatuagem no antebraço esquerdo. Nem sei direito de quê. Magrinha, miúda, as pernas meio separadas. A esquerda quase totalmente dobrada sobre o lençol e a direita esticada. Outra tatuagem na batata da perna. Posso entrever o contorno da bunda, com o pouco de luz que atravessa a cortina esburacada.

            É bonita. Como pode ser tão difícil dormir ao lado dela?

          Pego um copinho de requeijão com um resto de conhaque. Tomo um gole e olho para ela enquanto me distraio com a mesma pergunta por uns bons minutos.

            Como pode ser tão difícil?

        O sexo com ela foi bom, mas não quero dormir ao seu lado. Também não posso simplesmente mandar a menina sair de meu colchão e não tenho nenhuma pretensão de me deitar sobre nenhum outro lugar que não seja ele. Foi muito bom fazer sexo com ela, mas agora não consigo simplesmente me deitar e dormir. E ela é tão bonita...

            Não quero dormir e o contorno do seu quadril é uma das coisas mais lindas que já vi na minha vida.

            Não quero dormir, bebo o resto do conhaque num gole e vou para o colchão. Amanda, Sabrina, Maria, Clarah, Camila, Luíza, Paula, Vanessa, Andréia, Natalia, seja lá qual for seu nome, eu te acordo, nós recomeçamos e ficamos quites.

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Deus está sempre na ativa  escrito em segunda 15 outubro 2007 19:16

            Torço pela total e completa aniquilação de toda a cultura ocidental e minhas flores preferidas são as violetas.

            (deixo aqui claro que só discorro sobre a cultura ocidental porque pouco ou nada conheço dos caminhos tortuosos que levam ao resto todo, resto que chamo de resto por me sentir o centro de todo o universo, como qualquer ocidental que se preze. – já quanto às violetas... bom, gosto muito delas.)

           

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